
Como o Critério Humano se Tornou o Novo Premium
Durante muito tempo, qualidade esteve ligada à dificuldade de produzir.
- Criar uma boa imagem exigia profissionais especializados.
- Produzir um filme demandava equipe, equipamentos, tempo e orçamento.
- Desenvolver uma campanha envolvia pesquisa, direção criativa, produção.
Hoje, a inteligência artificial mudou parte dessa equação. Agora, é possível gerar textos, imagens, vídeos, conceitos e variações criativas em uma velocidade que seria difícil imaginar poucos anos atrás.
Uma das maiores oportunidades da história que se tornou um problema. Quando a sua produção é feita sem critério humano, ela se torna previsível, repetitiva e monótona.
E assim o humano se torna o novo premium.
Quando mostrar como algo foi feito também passa a ter valor
Uma das maiores empresas de tecnologia do mundo oferece um bom exemplo dessa transformação.
A Apple não está evitando inteligência artificial, pelo contrário, a tecnologia está presente, mas os humanos também estão.
No Cannes Lions de 2025, Tor Myhren, vice-presidente de Marketing Communications da Apple, resumiu essa visão dizendo que a criatividade, a simplicidade e a humanidade são os filtros pelos quais a empresa avalia seu trabalho.
Esse movimento não prova que todo conteúdo produzido manualmente será automaticamente melhor, mas revela que a origem de uma ideia e o seu processo também se tornam parte da experiência da marca.
Só humanos vivem a experiência que tentamos comunicar
Uma inteligência artificial pode reconhecer padrões de comportamento em uma quantidade de informações impossível para uma pessoa analisar manualmente. Ela consegue identificar:
- estruturas narrativas;
- tendências;
- padrões linguísticos;
- associações entre comportamentos.
Mas existe uma diferença importante entre identificar um padrão humano e viver uma experiência humana. Porque uma máquina não entende a experiência, assim como um humano.
Por isso, quando uma marca precisa falar sobre temas profundamente ligados a identidade, desejo, conquista, medo, família, pertencimento ou realização, o fator humano continua tendo um papel essencial.
Neuromarketing & Experiência Imersiva
Entender o consumidor nunca significou apenas descobrir aquilo que ele diz querer.
Nossas decisões são influenciadas também por atenção, memória, emoção, percepção, motivação e expectativa de recompensa. É justamente aí que áreas como o neuromarketing e a neurociência do consumidor contribuem para a comunicação.
Uma pessoa pode entender perfeitamente uma mensagem e esquecê-la segundos depois. Uma experiência, por outro lado, pode criar:
- curiosidade, que mantém a atenção;
- tensão, que cria expectativa;
- surpresa, que quebra padrões;
- emoção, que aumenta o envolvimento;
- identificação, que aproxima consumidor e marca;
- memória, que ajuda a marca a permanecer presente depois do contato.
É por isso que falar sobre experiência se torna tão importante em uma era de abundância de conteúdo.
O que isso diz sobre a criação de conteúdo agora?
Produzir conteúdo nunca foi tão acessível e provavelmente ficará ainda mais fácil.
Por isso, talvez as marcas dos próximos anos não sejam diferenciadas simplesmente pela quantidade de conteúdos que conseguem criar, mas pela capacidade de compreender profundamente as pessoas para quem estão criando.
- A tecnologia consegue identificar padrões.
- Os dados conseguem indicar comportamentos.
- A inteligência artificial consegue multiplicar possibilidades.
Mas alguém ainda precisa transformar tudo isso em uma ideia capaz de chamar atenção, gerar identificação e criar significado para uma pessoa real.
Na Core, acreditamos que tecnologia e criatividade humana não precisam ocupar lados opostos. A tecnologia aumenta aquilo que somos capazes de fazer.
Mas o critério humano continua sendo responsável por decidir por que fazemos, para quem fazemos e o que realmente vale a pena colocar no mundo.
Porque, quando produzir se torna abundante, saber escolher se torna raro. E aquilo que é raro se torna premium.